Iced Earth – Via Funchal / SP – 6/Fev/2010
Posted on 10. fev, 2010 by Rafael Kuvasney in Resenhas, Shows
Sábado à noite. Entramos no Via Funchal, eu e mais 2 amigos, 10 minutos antes do horário previsto para o show. Tempo suficiente para se posicionar próximo ao palco, do lado direito, em frente às enormes caixas de som da casa.
Com 15 minutos de atraso, as luzes se apagam e os telões começam a mostrar as normas de segurança da casa. Em vão. O barulho do público já era grande, antes mesmo da banda entrar no palco. Aguardando ansiosamente por ver, pela primeira vez em São Paulo, Jon Schaffer e companhia.
Aos poucos, um a um, entram no palco Jon, o baterista Brent Smedley, o baixista novato de banda Freddy Vidales, e o outro excelente guitarrista, Troy Seele. Ao som instrumental de In Sacred Flames, no playback, faixa introdutória do disco The Crucible of Man, o mais recente e, de acordo com minha opinião, o menos inspirado (mas não menos barulhento) da banda.
As luzes se acendem e Jon puxa a primeira porrada da noite, Behold The Wicked Child. E é aí que começa de fato o show, com Matt Barlow surgindo de trás do palco, mostrando que os vocais do Iced Earth sempre foram e sempre deverão ser dele (com todo respeito à Tim Owens). Vocais perfeitos na primeira música, que seriam mantidos até o final.
A sequência veio com a clássica Burning Times. O Via Funchal quase veio abaixo. Os riffs de guitarra são marcantes, e de arrepiar qualquer metaleiro de plantão.
Continuaram tocando, na mesma toada, sem intervalo, Declaration Day (de The Glorious Burden, o primeiro disco com Tim Owens) e Violate, do clássico The Dark Saga.
Eis que Matt Barlow decide dar uma pausa pra respirar. Aliás, ele, o resto da banda, e nós, espectadores.
Seguiram então as pauladas Pure Evil e Dracula. Mais uma pausa pro ar, agora com a “balada” Melancholy, que agora posso dizer que é muito melhor ao vivo. E logo emendam outra porrada: Ten Thousand Strong.
Matt então sai do palco e dá lugar ao dono da banda, Jon Schaffer. O cara vem pro meio do palco e pela primeira vez na noite se comunica com o público. Ele é tão bom, tão enérgico, tão talentoso, que se dá o luxo de ficar lá no canto dele o show inteiro, pouco se mexendo, levantando a cabeça somente na hora dos backing vocals, mas mesmo assim arrebentando. Os longos cabelos brancos demonstram a experiência do cara, que então entra arrebatador nos vocais da clássica Stormrider.
O vocalista volta ao palco e emenda The Hunter, Prophecy (num show de vocais e solos de guitarra), Birth of the Wicked (a minha favorita) e The Coming Curse.
Tradicional pausa para o público pedir o Bis. E surpreendentemente, após a série de pancadas tocadas durante 1 hora de show, o público começa a entoar Watching Over Me, baladinha clássica da banda. Jon Schaffer até queria tocar, mas o baterista disse que não sabia, então retornaram mesmo com a épica Dark Saga, de álbum homônimo.
Matt Barlow ainda teve tempo de brincar com o fato de, no mesmo dia, a cidade ter também recebido o show da Beyoncé. Mandou o público da cantora americana se f#$!*, dizendo que os melhores na verdade estavam lá. E estavam mesmo.
O final foi marcado ainda pela longa A Question of Heaven, a rápida My Own Savior e fechou com Iced Earth, quando Matt gastou seus últimos gritos, demonstrando que é realmente um vocalista perfeito para aquele tipo de banda. Não dá pra imaginar um cara desses cantando numa banda da polícia.
Destaque para Freddy Vidales, que correu o palco inteiro durante todo o show, e para Brent Smedley, excelente baterista. Não parou um instante sequer e suou muito (ainda bem!), pra alegria de todos que compareceram. Os dois bumbos da bateria sofreram!
Enfim, pude voltar pra casa e sentir os ouvidos zunindo por duas noites, mas com a sensação de ter visto a maior banda de heavy metal da atualidade em terras brazucas. Que pancada!