In the pit! D.R.I. e Violator no Carioca Club – SP
Posted on 22. abr, 2011 by Rafael Kuvasney in Resenhas, Shows
Monstruoso. Memorável. Insano. Adjetivos pra resumir o encontro de criador e criatura em SP me faltam nesse momento. And the pain won’t go away. Acho melhor ir por partes. Infelizmente, devo admitir, não peguei grande coisa do show da banda de abertura, Ação Direta, então não poderei falar muito. Comecemos pelo Violator.
Violator no palco do Carioca Club
Depois de um atraso enorme (de acordo com o zona punk, se deu por um perfeccionismo do D.R.I. com o áudio (justificado depois, a qualidade estava impecável), a banda de abertura Ação Direta terminou o seu show e deu lugar ao Violator. A casa estava completamewnte lotada! Sem muita frescura, numa troca rápida, os brasilienses subiram ao palco e simplesmente arrebentaram. Só não foram os donos da noite porque quem vinha depois era o D.R.I. Show rápido, é verdade. Mas um setlist arregaçador, uma vibração respeitável e um carisma de banda velha. Comandaram o palco por algo em torno de meia hora, mandando petardos como Addicted to Mosh, Atomic Nightmare, Poisoned by Ignorance, Futurephobia (não consigo me lembrar do setlist todo e não encontrei nenhum no site setlist.fm). A banda era só sorrisos, garotos realizando um sonho, talvez. Só sei que eles carregam o espirito real do Thrash na veia. Em um momento, o Poney (vocalista) se dirigiiu ao público para agradecer e dizer que eles eram iguais ao público, que anos atrás eles estavam no meio do povo, eram moleques “thrasheiros”, numa real demonstração de respeito e carisma ao público. E, pra finalizar, o momento mais insano do show foi quando Harald Oimoen (baixista do D.R.I.) adentrou ao palco com uma cadeira verde e ficou lendo um HQ do NFL Comics* enquanto o show comia solto. Depois se divertiu andando pelo palco e fazendo traquinagens do tipo tirar o ventilador do Batera, encoxar o Caçapa e dizer que eles eram a banda mais pesada que o Brasil já teve (respeito é isso). Depois o Poney ainda mandou: “Se ele voltar aqui, ‘taca’ uma cadeira nele”. A noite era deles mesmo. Como eles mesmo disseram, estavam em turnê com a banda que os influenciou e isso é impagável! Show nota 10!
Thrashard! D.R.I. põe a casa abaixo
Fecham-se as cortinas, pequena pausa. Depois do espancamento de virgens que foi o Violator, quem subisse ao palco estaria bem introduzido. Mas quem ia subir ao palco era o D.R.I. e eles superaram tudo. Abrem-se as cortinas, uma pequena intro, Harald Oimoen, Spike Cassidy e Rob Rampy no palco. Público insano e ansioso. Mais um pouco, Kurt Brecht entra, cumprimenta e ai vem Beneath the Wheel, perfeitamente tocada. Tiozões de tenis brancos cano alto e boné com a aba pra cima, moleques (como este que vos fala) encantados, todos como se estivessem em 1985 (mesmo tendo nascido pouco antes disso). Parecia que aguardaram este momento por décadas (alguns realmente aguardavam). Snap, I’d Rather Be Sleeping e a porradaria comia solta na pista. No meio do show, Kurt diz que aquela próxima música era dedicada aos Thrashers. Thrashard começa e o ingresso ai já estava pago. Mas não, a banda sabia que devia mais ainda. E cumpriu. Com um setlist extenso, um show de quase 2 horas e muito respeito ao público, a banda fez com que todos, desde o dono do Carioca Club até aquele sujeito que foi sem vontade saíssem de lá agradecidos e satisfeitos. Para muitos, talvez, o melhor show que já viram. Pra completar, voltaram para o biz e fecharam o show com a trinca Abduction, Violent Pacification e, a que todos pediam sem parar, Five Year Plan. E desse vez, ninguem saiu perdendo! They win, We win!
Reverenciaram o público por várias vezes, agradeceram, convidaram para a “festa” que ia rolar no hotel da banda, intimaram para o “pit”, conversaram… tudo para mostrar que eles eram os reis da noite. Para mostrar que eles estavam ai desde o início dos anos 80 e sabiam o que faziam. Uma banda que nunca devia ter parado, mas que virou refém de um mercado onde o Thrash e, principalmente, o Crossover não dão lucro. Mas, pro inferno com tudo isso, eles mostraram como se faz um show de verdade!
O setlist do D.R.I. eu peguei no Setlist.fm. Ai vai (porque eu mesmo não me lembraria dele inteiro, mas a banda jogou ele pra galera):
- Beneath The Wheel
- Snap / I’d Rather Be Sleeping
- Problem Addict
- Acid Rain
- The Application
- How to Act
- Do The Dream
- Commuter Man
- Thrashard
- Who Am I
- Slumlord
- Dead in a Ditch
- Suit And Tie Guy
- Madman
- I’m The Liar
- War Crimes (?)
- Wages of Sin
- Dry Heaves
- I Don’t Need Society
- Soup Kitchen
- A Coffin
- Against Me
- Nursing Home Blues
- Fun and Games
- Hooked
- Abduction
- Violent Pacification
- Five Year Plan
* antes do show começar, alguém, que imagino ser o quadrinista Hamilton Tadeu, veio mostrar pra nós seu trampo, a HQ da NFL Comics. Dissemos a ele que antes do show era impossível comprar, porque não ia sobrar nada inteiro pra depois, mas não encontramos mais com ele. Se alguém souber de como eu consigo uma cópia desse trampo pra mim, eu quero!
Nossa Avaliação
- Kuvas:
- Suicide!
- Pessoal da Ataque Frontal (que organizou o show) acertou em cheio nas bandas! Perfeito, nada a comentar. Até mesmo o atraso, que complicou a vida de muita gente que morava mais longe, foi esquecido. Show histórico!

