O Metal e as mulheres
Posted on 24. set, 2009 by Lu Dacal in Lero-lero
Essa é uma discussão boa, q sempre rende boas frases, algumas risadas e às vezes uma certa tensão, por envolver um tema delicado como o feminismo. Mas antes de começar vamos separar as vacas dos bois aqui. Não levanto bandeira nenhuma, ok? De N.A.D.A, a única coisa q eu acho necessário é respeito.
Não tenho banda, nunca quis ter, subir num palco nunca passou pela cabeça, comecei a curtir som qdo as mulheres eram raridade, mas isso é claro, Metal é uma coisa estúpida, agressiva, usado pra expor ódio, fala de violência, morte, dor, opressão, injustiça, calamidades, genocídios, guerras, religião…feito por um monte de caras sujos, feios e mal encarados, digamos q isso não atrai mto as menininhas na sua adolescência. Dependendo do tipo de adolescência q ela tem, pra mim caía como uma luva, odiava minhas vizinhas de condomínio com seus Naurus e Redleys coloridos, mochilas da Company, indo pra suas aulas de Jazz, aquilo não tinha mto a ver comigo, eu queria mais.
Já lia quadrinhos nessa época, queria ser como a Death do Neil Gaiman ou morar bem longe daquele subúrbio decadente do RJ, é uma merda vc se sentir um deslocado(a). Daí pra ouvir um Slayer é pulo, vc conhece aquele estranho q senta lá atrás na sala de aula, puxa assunto vê q ele é inteligente, q não te julga pela mochila bacana ou pela sua saia curta, obviamente q pra me diferenciar só usava calça e não tava nem aí pra aparência, vc quer ser compreendido como ser humano. A adolescência é uma fase difícil, não à toa tenho o dom de lidar bem com isso hj adulta e faço o trabalho sujo q os pais não tem saco nenhum de fazer depois dos estragos q já fizeram, às vezes, infelizmente, chego tarde demais e perco meu dia. Enfim, voltando as minas do metal, não foi fácil chegar até aqui tb, mostrar q eu realmente curtia som, não os cabeludos, já fui chamada de tudo e todo dia tenho q provar q entendo de música pesada, até hj, parece q vc está em um teste eterno. Eu tenho consciência q sou raridade, das meninas q conheci em 18 anos de underground conto nos dedos(de uma mão só) as q realmente curtem e sacam de som, pq a maioria q frequentou ou pq namorou ou era a fim de pegar um cabeludo, ou tirar onda de rebelde com os pais. Hoje é mãe de família e renega o passado e vai bater na filha caso ela queira curtir algo alternativo, pq não entendeu N.A.D.A, da experiência de liberdade q teve. Triste.
Hoje existe uma infinidade de bandas com mulheres, fazendo até vocal gutural, eu sinceramente ainda não tive minha “ídola” no metal, além da Sean Ytseut baixista do White Zombie q eu sempre adorei e as Girl´s School q são umas bêbadas super divertidas, não me identifiquei com nenhuma dessas q andam por aí, a Angela Gossow e seu Arch Enemy não me enche os olhos e os ouvidos, as mais clássicas como a Doro Pesch(ex-Warlock), msm depois do clássico show q eu vi, tradicional demais pra mim ou a Sabina Classen e seu Holy Moses q eu nunca ouvi, sendo muito sincera. Como disse Corey Taylor (Slipknot) no documentário Metal a Headbanger´s journey o Metal é algo viril, talvez a última demonstração de masculinidade no mundo, ele se explica bem, dizendo q ama as mulheres e tal, mas q estar ali, bangueando, curtindo aquilo tdo é algo mto forte, e eu concordo. E foi essa virilidade q me fez me apaixonar anos atrás e talvez por isso eu não quis “ser banda” ou curtir bandas com mulheres, pq é isso q me atrai e tb pq eu não sou boba nem N.A.D.A. Mas todas somos muito bem vindas, eu fiz a minha reputação ao longo de muito tempo, vc menina q escolhe o q vc quer ser dentro da cena, groupie, paisagem, namorada, roadie, metal bitch, menininha drogada e rebelde, ter banda, cada uma escolhe seu caminho, o respeito é algo q vem com o tempo, mas não esqueça, pra tê-lo é preciso mostrar. A única coisa ruim de ser mulher e ser coerente demais é de nunca ter dado um mosh enquanto eu era nova, pq pra isso é preciso coragem! E como!
P.S: em nenhum momento citei bandas com vocal gótico pq aquilo NUNCA foi metal, por favor!

Lud
out 21st, 2009
Clap! Clap! Clap! Disse tudo e mais um pouco. Até acredito, pela referência que vc citou de “mulher no metal”, sermos da mesma geração de canetas 300 cores e aulas de jazz. Eu já cansei desse “disputa” em dicutir sobre som ou o quanto vc é troO pelas coisas que você escuta até pq normalmente quem quer esse tipo de conversa é sempre alguém que cresceu com internet banda larga e nunca ouviu uma fota k7 emprestada do amigo.
sou mulher e Headbanger
mar 30th, 2011
me identifiquei…
sou eu(ainda mais que eu era a única headbanger da escola)e continuo assim.conheço as bandas e suas histórias.
obs. já entrei na roda e vou te dizer:insano